sábado, 14 de setembro de 2013










Feitiço…

Tomei-te
Por detrás num repente
Violento e quase caíamos por terra
Na cósmica intensidade do teu grito rouco
Senti o gozo farto escorrendo pela fímbria do sexo
Profusa e docemente
Molhado
De mim

Soltei a fera
Adormecida na mulher menina
E no mágico instante em que te fixavas
Naquele velho espelho sortilégio dos deuses
Ofereci-te a minha língua para degustares
Os raros néctares de saliva e seiva
Que na febre louca do acto
Sorvi guloso
De ti




quinta-feira, 27 de junho de 2013




                                          Toma (me)



Esse olhar assim tão teu
Quando encontra enfim o meu
Reconstrói o que caiu algures por terra
Como me alucino em ti, mulher fêmea
Quando aceitas todos os meus segredos
Mulher que mimas a minha insana loucura
Os teus braços ficaram subitamente quedos
As tuas coxas brilhantes deliciosamente mudas
Estás assim semi desfalecida, saciada e sem forças
Me esperas e imploras num relance
Ofereces-me a boca húmida
Beijo-te agora
Toma
Me...



quarta-feira, 29 de maio de 2013





                                         "O teu livro...aberto".


                  Sou o teu livro
                  Aberto
                  Ávido
                  Sedento da palavra húmida
                  Tinta mais pura da fonte
                  Sublime 
                  De ti...

                  Vem
                  Beija-me
                  Por debaixo da mesa
                  Incendeio-te a verve
                  Lânguida 
                  Me inebrio agora em teu peito
                  Degustando o néctar doce do teu suor.

                  Leva-me
                  Para cima da mesa
                  Suplico-te um beijo
                  Ofereço-te o meu sexo em botão
                  Cálice sublime de infinitas sépalas
                  Seladas por uma subliminal
                  Vesuviana e sacrílega Paixão...

   

segunda-feira, 27 de maio de 2013

              

                                           


                                               
 " Pensar teu beijo!

Quero esta espécie de tortura
Rara – pensar teu beijo.
Frémito, tumulto acelerado
Infinito desejo consumado
Nas bocas sedentas, ensejo
Feito seiva bruta e dura…

Pensar teu beijo é cínico
Como cinicamente me escondo
Na língua que roubei de ti
Carrego-a comigo sem mácula
Para provarmos a mandrágora
Volúpia que agora habita… aqui!

Voamos para lá do sonho
Último dos bastiões do êxtase
Para nos amarmos na esteira do tempo
Do mágico cordão de prata, soltou-se
Teu beijo incendiando este momento
Perpetrando teu lugar no firmamento.

domingo, 3 de março de 2013


            

 

 
                            Viagem…
 
Mãos aventureiras
Percorrendo em círculos
Teu corpo aveludado e nu
Sensus secreto delimitando
Os sacrílegos lugares da Cobiça
Língua ávida, luxúria, refém
Em teu Templo dourado
Consubstanciado
Em mim
 
Perco-me no tempo
Na tormenta dos dias
Repasto das horas tardias
Trucido-me de peito aberto
Num assédio estupro de mim
Deificando-te na distância
Num atropelo mórbido
Eternamente me tens
Nascituro e íncubo
Flagelo último
De ti

terça-feira, 6 de novembro de 2012

  Terminologia erótica


      Um pequeno apanhado de termos do quotidiano,
           inspirado no novo e deslumbrante acordo ortográfico...



Pintelhos - cabelos do "pinto"

Ratelhos - cabelos da "rata", (também denominada de "xana", daí os consequentes "xanelhos")

Cuelhos - cabelos do cú (também apelidado de "bunda". Assim, welcome meus "bundelhos")

Pernelhos -cabelos das pernas

Peitelhos - cabelos do peito

Bucelhos -  pelos do buço

Biquelhos - pelos do nariz

Axelhos - cabelos do sovaco


     
                            O Léxico segue dentro de momentos: o porquinho foi... vomitar :)
          

sexta-feira, 7 de setembro de 2012





                               Sabes, amor…

Sabes, amor…

Agora tudo ficou mais difícil

Chegou o momento que eu sempre temi

Aquele momento em que nada me oferece grandeza

Em dosagem suficiente para me deixar seguro

De ter chegado sequer aos teus pés, que sim, são belos

É o próprio nada que me incomoda porque se ao menos

Quantificasse a minha própria insignificância

Se pelo menos servisse para me livrar

Desta raiva envergonhada que me aperta o peito

Por saber que não mereço o teu regaço

Por sentir a pequenez que me atrofia

A alma e mais desgraçadamente

O pensamento

 

Sabes, amor

Eu quis fazer de Neruda e tentei escrever-te uma ode

Mas as palavras desentenderam-se e não mais rimaram

Eu quis fazer de Chopin mas as teclas pareciam de ferro

E as notas zombavam de mim como se eu fosse um bobo

Quis até fazer de Dali mas os esquissos ficaram tão maus

Que cheguei a pensar cortar os dedos, para te poupar os olhos

 

O Nada enxovalhou-me, amor

Manda-me embora para que tudo volte ao princípio

Para te deixar descansar depois de mais um dia aurido

Eu sei que sonhaste comigo, sei que me sentiste

Pulsando, de mansinho, bem no fundo de ti, por todo o dia

Porque te deixei levar, por marotice, um pouco do meu cheiro

E claro que sim, também eu te mantive em segredo nas minhas mãos

Nos interstícios dos dentes, na fímbria das unhas, o nosso desejo

Deixa-me pensar que sendo teu vou chegar ao outro lado de mim

Em tuas margens ancorar, na esperança de honrar o meu destino
Contigo, meu amor antigo, minha história e meu castigo, minha amiga.